06 passos para você curar a sua criança interna

O Poder dos Pais      Jacqueline Vilela • 28 Novembro 2015

E então você vive a vida sentindo culpa. E raiva. E ansiedade. E carência. E tristeza. Parece um ciclo sem fim, de busca interminável por algo que você não sabe bem o que é. 

Quando o que temos latente são sentimentos negativos, tudo o que fizermos será para alimentar esses sentimentos, o que significará mais ansiedade, mais carência e mais medo.


Pare agora e reflita se você está preenchendo sempre a sua vida com mais do mesmo.


E, como voltar a sentir mais amor, mais prazer, mais liberdade, mais paz? - Se conhecendo melhor, aprendendo a regular as suas emoções e conhecendo a criança que habita em você.


Recentemente eu disponibilizei um teste sobre estilo parental (que você pode fazer clicando aqui). Esse teste é o resultado de uma pesquisa séria do PHD John Gottman e determina qual o seu tipo de pai e mãe na educação emocional dos seus filhos. Eu pedi também para que as pessoas retornassem o e-mail me contando o que sentiram ao fazer o teste e qual o resultado final. A maioria me revelou que teve a oportunidade de analisar a sua própria história na infância e que querem fazer diferente com os filhos.


Esses 06 passos para entender melhor a sua criança interior são um excelente caminho. Eles te ajudarão não apenas a se entender, mas a prestar atenção e cuidar da criança do seu filho, que será, um dia, a criança interna dele. Se o seu filho for adolescente e tiver agora um comportamento que você desaprova, pare e pense: Será que a criança dele, em algum momento também não foi ferida?


Se possível, leia esse texto duas vezes. Na primeira, leia tendo você como a criança ferida. Em cada um dos 06 tópicos, pare e reflita sobre a sua própria história e a sua interação com os seus pais, sobre como era essa criança do amor (passo 2) e quando essa criança se desviou para o medo. Depois, leia novamente e avalie como hoje você conduz a vida do seu filho e se os acontecimentos já podem também tê-lo desviado para esse caminho do medo.


1. A SUA CRIANÇA INTERNA ESTÁ VIVA DENTRO DE VOCÊ

 

CRIANÇA LIVRE

 

 

"Em todo adulto espreita uma criança - uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa"
Carl Gustav Jung

Um dia a sua criança vai te gritar. Acontece mais cedo ou mais tarde e você será obrigado a olhar para ela. Comigo aconteceu quando eu me tornei mãe e me vi tendo que reaprender músicas que a minha mãe cantava para mim, fazer gestos que ela fazia para mim e principalmente a brincar (coisa que o mundo coorporativo tinha me tirado 100%).


O psicanalista suíço Carl Gustav Jung percebeu que entrar em contato com a sua criança é uma maravilhosa fonte de energia e criatividade interna. É por isso que muitos pais relatam que filhos promovem essa transformação, porque estar em contato o mundo interno infantil e regredir voluntariamente (isso acontece quando brincamos com os nossos filhos) é uma maneira de acessar uma fonte de vitalidade, intuição e possibilidades!


Não paramos para pensar nisso, mas nós temos duas partes, uma que é ainda é criança, e a outra uma parte adulta e amadurecida. E por causa de uma série de fatores, as pessoas ficam muito tempo sem se conectarem com a parte criança.


Até que essa criança resolve gritar...

 

 

2. PALAVRAS CONSTROEM OU DESTROEM

 

 

CRIANÇA FERIDA

 

"A criança que fui chora na estrada. 
Deixei-a ali quando vim ser quem eu sou. 
Mas hoje, vendo que o que sou é nada, 
Quero ir buscar quem fui onde ficou”
Fernando Pessoa

A criança é feita de Amor. Quando você nasceu, você era puro amor (sim, você já foi uma criança, embora talvez tenha se esquecido). Existe dentro de uma criança a bondade, a curiosidade, a entrega, a coragem e a espontaneidade natural. A criança vivencia o amor em tudo e em todos, inclusive em si mesma.

A autoestima dessa criança está preservada e ela sabe que pode simplesmente ser.


Essa criança é livre, porém possui necessidades básicas, como carinho, proteção e alimento. Mas também tem a necessidade de fantasiar, brincar, estar com outras crianças, aprender e ter limites definidos que não sejam muito rígidos.


E o que acontece quando os sentimentos são reprimidos na infância? Como essa criança fica dentro de um adulto que se formou a partir dela?


A resposta que eu mais me identifico é: - Essa criança sai do Amor e vai para o Medo.

Uma das emoções mais fortes que eu já senti foi o real momento em que eu descobri quando eu saí desse estado natural de Amor da criança e fui para o medo.

Cada dia mais, pesquisas revelam que a criança interior ferida, negligenciada e silenciada é a maior causa de infelicidade do mundo.

Quando acontecem traumas na infância, guardamos uma criança ferida dentro de nós. E esse trauma não precisa ser necessariamente algo trágico, como muitos imaginam. Na maioria das vezes estão disfarçados de frases dos pais, como: “você é desatento”, “você não aprende nada mesmo”, “você não vai conseguir”, “você não faz nada certo”, “você é tímido”, “você é um covarde”, “não chore por bobeira” e tantas outras.


A psicologia positiva já veio para provar que os pais precisam educar os filhos com palavras positivas (que constroem) e não com palavras negativas (que destroem). Humberto Maturana (biólogo e cientista) diz que somos seres biologicamente vindos do amor e que o verdadeiro amor é aquele aceita o outro como um verdadeiro outro na relação, ou seja, o aceita como ele é e não como gostaria que fosse.


Rotular, moldar, generalizar e proibir nunca foram a melhor opção. Negligenciar as emoções dos filhos também não. A diferença é que os nossos pais não sabiam, mas nós sim!

 

3. A CO-DEPENDÊNCIA COMEÇA NA FAMILIA

 

DANDO A MAO PARA A CRIANÇA

O comportamento co-dependente indica que as carências da infância não foram atendidas, e que a criança não sabe quem é.

As crianças precisam de exemplo de emoções saudáveis para compreender os próprios sinais interiores. Precisam, também, de ajuda para separar os pensamentos dos sentimentos, além de nomear esses sentimentos e expressar para o mundo da maneira correta.


Quando o ambiente familiar é composto por pais que não educam os filhos para a emoção, com o tempo essa criança se tornará um adolescente (e futuro adulto) desconectado com suas características internas – os próprios sentimentos, carências e desejos.


Não sabendo quem ela é, essa criança vai crescer achando que identidade dela depende de algo que está fora: brinquedo, roupas, viagens. E mais tarde, quando adultos, acharão que a felicidade também está associada a dinheiro, carro, emprego, ter alguém, reconhecimento, etc.

Reconheça que tipo de co-dependencia você criou na sua tragetória. Quais muletas (quais fatores externos) você tem usado para justificar a "falta de" ou a "necessidade de" alguma coisa na sua vida? Quando o que me basta não está dentro de mim é grande um sinal de desconexão.

 

4. IDENTIFICAR COMPORTAMENTOS É ESSENCIAL

 

OS SINTOMAS

"Não importa o que fizeram conosco, o que importa é aquilo que fazemos com o que fizeram de nós".
Jean Paul Sartre

As pessoas com vidas adultas aparentemente racionais podem estar levando também uma vida de tempestade emocionais internas. Suas tempestades continuam porque sua dor original não foi resolvida.


Eu venho sempre falando que o primeiro passo para a resolução de qualquer questão é a consciência.


Se você identifica um (ou mais) dos comportamentos abaixo, o conselho é descobrir em qual idade essa sua criança se feriu e onde ela se desviou para o medo:

01. Perda de Identidade, do contato com os próprios sentimentos, carências e desejos guiados pelo sentimento de culpa ou de vergonha. Tendência a se afastar ou a sempre se envolver em problemas (extremos);


02. Comportamento Agressivo, seja violência física ou emocional;


03. Carência Profunda, necessidade de ter os pais sempre por perto, sede insaciável de amor, atenção e afeto e, mesmo tendo, não se sentir preenchido.


04. Desconfiança ou excesso de confiança, necessidade de estar no controle, ingenuidade, choro histérico, etc;


05. Repetição das violências do passado com autopunição, distúrbios físicos, acidentes frequentes, etc;


06. Atribuir a responsabilidade sempre a terceiros, ou seja, o outro é sempre o responsável pelas situações e com isso não acreditar que precisa mudar o próprio comportamento;


07. Distúrbios de intimidade, dificuldade em acreditar, confiar ou desenvolver relacionamentos íntimos (de amor ou até amizade);


08. Comportamentos indisciplinados, agir por impulso ou rigidez, obsessão, necessidade constante de “agradar” os outros (mas, no fundo, espera algo em troca); sentimento de culpa e vergonha, dificuldade para dar uma boa risada, dançar ou cantar;


09. Comportamentos viciados ou compulsivos, como o álcool, drogas, alimentos, trabalho, compras, jogo, sexo, etc. Sentimentos latentes e recorrentes, como a raiva, medo, lamentação, tristeza, alegria, falsa felicidade;


10. Pensamentos distorcidos, como perfeccionismo, egocentrismo, falta de lógica, pessimismo (medo de desgraças imaginárias);


11. Sensação de Vazio, com a sensação de viver uma farsa (viver representando), apatia, depressão, falta de contato consigo próprio, vida desinteressante e sem sentido. O interesse pela vida é mínimo porque acredita que ela é um problema a ser resolvido e não uma aventura a ser vivida.

 

5. ACOLHA, ACEITE E CUIDE DA SUA CRIANÇA INTERIOR

 

CUIDANDO DA CRIANÇA INTERIOR

Para que você possa cuidar dessa criança interna ferida é preciso reconhecer a sua presença e perceber as suas necessidades.
O processo é mágico e esquisito ao mesmo tempo e pode ser muito doloroso.


Não fique triste ao perceber alguns comportamentos em você ou no seu filho. Não é fácil recordar, mas se você aprender como acolher essa criança e lamentar com ela as suas dores reprimidas, deixá-la chorar livremente, você terá a incrível possibilidade de criar uma conexão poderosa com ela.


Nesse contato você pode descobrir que não é verdade o que fizeram você acreditar sobre quem você é. Em alguns casos mais graves, você precisará perdoar e seguir em frente (e nesses casos poderá precisar de ajuda especializada).


O reencontro com a criança interior diminui o stress, nos oferece coragem, entusiasmo e, principalmente, a CURA de muitas doenças e feridas emocionais.


Você pode cuidar dessa criança com um exercício diário de visualização. Imagine-se quando criança (se for difícil pode pegar uma foto e olhar para ela), entre em um ambiente da sua infância e veja uma cena (como em um filme) em que essa criança está lá. Agora coloque na cena você adulto se aproximando dessa criança e acolhendo. Essa criança está triste, pegue-a no colo, abrace-a, dê atenção e carinho. Diga a ela que a partir de agora você cuidará dela, que a visitará com frequência. Pergunte a essa criança o que ela sente e como você pode ajudá-la.
Veja com ela modos de fazê-la se sentir melhor, brinque com essa criança. Depois, despeça-se dela, dizendo-lhe que cada vez que ela precisar você irá ajudá-la, compreendendo e dando amor.


Você também pode escrever essas experiências em um diário. Ou escrever para a sua criança sempre que sentir vontade.

6. CUIDAR EMOCIONALMENTE DO SEU FILHO É PRESERVAR A CRIANÇA DELE

CRIANÇA BRINCANDO DE BOLINHA DE SABAO

 

O melhor presente que podemos dar para os nossos filhos é a educação emocional. Aprender a como cuidar dessas emoções será, para ele, aprender a cuidar dessa criança em todas as fases da vida.

A consciência nos transforma. Passar pelo processo doloroso de curar as nossas crianças pode ser um aprendizado e tanto, especialmente quando temos filhos.

O melhor presente que podemos dar para os nossos filhos é a educação emocional. Você já deve ter percebido o quanto conhecer sobre si e sobre os sentimentos impede que deixemos para trás questões não resolvidas por medo.


Eu tenho levantado a bandeira com frequência sobre a importância de cuidar as emoções dos filhos.

E é por isso que eu lancei o treinamento online Emoções que Falam.


Aprender a como cuidar dessas emoções será, para o seu filho(a), aprender a cuidar dessa criança em todas as fases da vida.


Estamos sujeitos aos imprevistos, a fracassos, a pessoas querendo nos colocar para baixo. Estamos sujeitos a conflitos familiares, a perdas. O grande aprendizado da vida não é evitar a todo custo situações assim, mas aprender a lidar com eles e com as emoções que provocam.


Os sentimentos não podem mais ser deixados para um segundo plano. Decida cuidar da sua criança, de você e do seu filho para que o seu 2016 seja repleto de crianças e adultos felizes.


emocoes