Como Eu Criei Filhos Adolescentes que me contam tudo

O Poder dos Pais      Jacqueline Vilela • 20 Fevereiro 2016

Como eu criei adolescentes que me contam tudo, mesmo quando é difícil.

 

Outro dia, minha filha adolescente estava no cinema com amigos. Quando eu liguei para ela para combinar a volta para casa, ela não atendeu. Finalmente, duas horas depois, ela ligou e disse que já estava vindo para casa. Alguma coisa parecia errada…


Eu disse a ela que estava preocupada, pois não tinha tido notícias dela. Na manhã seguinte, ela veio ao meu quarto e disse, “Mamãe, eu não estava no cinema ontem, na verdade eu estava numa festinha.”


Nós moramos numa vizinhança bem calma, porém bem perto de uma cidade grande e violenta. Eu sabia que criar meus filhos num ambiente tão diverso nos traria situações em que precisaria de algumas habilidades para lidar. Eu precisava me certificar que eles saberiam tomar boas decisões por si só.

Então, quando eles estavam na pré-escola, bolei uns joguinhos com eles, onde eu descrevia uma situação, e então perguntava a eles se era caso de saúde, ou de segurança:

“Posso comer um monte de doces para a janta?” “Não, desculpe, esse é um caso de saúde.”
“Posso atravessar a rua sem segurar minha mão?” “Às vezes, dependendo de quão movimentada a rua é.”

Qualquer caso que não fosse nem de saúde nem de segurança, eles teriam a liberdade de decidir sozinhos.

“Posso ir para escola com nós nos cabelos, sem pentear?” “Se quiser, se é essa sua ideia de moda, então que seja!”


Bem, esses são meus parâmetros de criação - regras que determinam se eu devo me meter ou me afastar e dar espaço para que eles decidam. Então, quando minha filha me disse que mentiu sobre estar no cinema, quando, na verdade, estava numa festinha, eu retornei com as questões sobre caso de saúde ou segurança. Calmamente lhe expliquei: “Querida, se eu não sei onde você está, então não posso cuidar de sua segurança, e isso pode criar uma situação perigosa.”

Então imaginei uma série de cenários com ela: “O que poderia ter acontecido se houvesse uma briga na festa? Ou se você passasse mal? Por causa da sua mentira; você poderia hesitar em me ligar para pedir ajuda. E, então, esse é um caso de segurança.”

Eu não a envergonhei nem a interroguei - e eu também lhe disse que, embora a considerasse muito inteligente e capaz, a vida é cheia de surpresas, e eu queria ajudá-la a lidar com elas. E, então, ela concordou que, no futuro, sempre iria me dizer exatamente onde estava indo.

Eu contei essa história a uma amiga minha, também mãe de adolescente. Ela ficou me perguntando várias vezes porque eu não castiguei minha filha por mentir. Bem, essa possibilidade não passou por minha cabeça. Meu foco estava em manter nossos canais de comunicação abertos.

De forma subconsciente, eu devo ter sentido que uma disciplina severa lhe daria razões para se fechar e mentir outras vezes para mim. Porém, eu queria que ela aprendesse a tomar suas próprias decisões e sempre, sempre, viesse a mim e me pedisse ajuda quando essas decisões fossem difíceis.

Adolescentes precisam se individualizar de seus pais e testar suas próprias teorias, regras e valores. Mas como podemos lhes dar espaço para que façam tudo isso, mantendo-os seguro ao mesmo tempo?

Um grande estudo mostrou que adolescentes que se sentem conectados com seus pais e familiares (...) têm menos estresse social. Quando pais e jovens têm boa comunicação, os estudos mostram que os jovens apresentam menos depressão, ansiedade e melhor autoestima (veja artigos com vários estudos no site da organização “Advocates for Youth”, que se dedica a promover comunicações saudáveis sobre saúde sexual e reprodutiva
http://www.advocatesforyouth.org/the-facts-parent-child-communication).

Se desejamos que nossos filhos falem conosco sobre TODOS os seus desafios - incluindo sexo, drogas e situações onde eles se sintam em perigo - e queremos transmitir nossa sabedoria a ouvidos abertos, precisamos trabalhar para que tenhamos uma comunicação aberta nos dois sentidos.


1. Permita que seu filho tenha pensamentos e valores próprios.


Seus filhos são seres únicos e podem ter valores diferentes; pode ser muito desafiador lidar com isso. (...) Faça um esforço para ver seu adolescente como um indivíduo, e permita que expresse sua individualidade - seu filho não é sua propriedade.


2. Seja curioso.


O melhor presente que você pode dar ao seu filho adolescente é a curiosidade sobre quem eles são. Quando meus filhos eram pequenos, sempre fazia um joguinho onde eu dizia, “Sorvete de baunilha ou chocolate?” “Férias na praia ou nas montanhas?” “Vai ficar com raiva de mim ou do seu pai?” Eu aprendi tanto sobre eles com esses joguinhos. Se você mostra curiosidade sobre pequenas coisas, isso pode abrir um portal para comunicações e conexões mais abertas.


3. Tenha vida própria.


Você está focando extremamente na vida do seu filho adolescente, para evitar sua própria vida? O psiconalista Carl Jung observou: “Não há maior carga para as crianças carregarem do que a vida de seu próprio pai ou mãe.” Se você quer que seus filhos conversem e lhe confidenciem suas coisas, o primeiro passo é se certificar que você tem vida própria.
Jung também disse, “Crianças são educadas pelo nosso exemplo, e não por nossas palavras”. Você está modelando uma pessoa feliz, ou está tentando viver seus sonhos não realizados através de seus filhos? Crianças irão desistir de compartilhar suas vidas se eles sentirem que seus motivos são excusos.


4. Lide com sua própria história e traumas.


Eu tenho uma amiga que tem uma filha adolescente, que um dia tentou iniciar uma conversa sobre potencialmente ter sexo pela primeira vez. Durante essa conversa minha amiga começou a chorar e a dizer que estava “preocupada e com medo” pela filha. Minha amiga tinha sido abusada quando tinha 15 anos, e, sem ter a intenção, estava projetando seu próprio trauma na filha.


Essa menina, então, parou de conversar com sua mãe sobre sexo. Quando minha amiga, que estava bastante confusa, me disse isso, eu a encorajei a procurar uma terapia para lidar com seus traumas e tentar separar suas experiências dolorosas das explorações naturais e saudáveis de sua filha.
Separe sua própria história das experiências do presente do seu filho. Se você não consegue falar sobre experiências difíceis, como você espera que seu filho o faça?


5. Aprenda a ouvir ativamente.


Você está ouvindo ou só está falando? Você usa frases que começam com “Eu” (“Eu quero me certificar que você está seguro”, ao invés de “você está arruinando sua vida!”)?


Se toda conversa que você tem com seu filho adolescente tende a virar um debate fervoroso, pare e se pergunte se você está discordando dos sentimentos e ações de seu filho, em vez de tentar ouvi-lo ativamente, com o desejo genuíno de entendê-lo melhor.


É impossível ser uma mãe ou pai perfeito, mas se suas intenções lhe guiam, em vez de lhe controlarem, se você examinou cuidadosamente seus motivos próprios e sua vida, e se você realmente ouve seu filho, você tem chances muito melhores de ter comunicações abertas e honestas com eles.

 

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Texto traduzido, escrito por Gracie X, original em: http://www.mindbodygreen.com/0-22738/how-i-raised-teenagers-who-tell-me-everything-even-when-its-hard.html