Sobre adolescência, escolhas e nudes

O Poder dos Pais      Jacqueline Vilela • 28 Outubro 2016

Amanda (nome fictício) tem 15 anos e é aluna do ensino médio. Se apaixonou por um colega da escola, de uma turma acima da dela. Eles não estavam namorando oficialmente, mas eles se falavam todos os dias. Durante semanas, ele pediu uma foto para dela. Quando ela enviou, ele pediu mais. Ela gostava dele. Ela acreditou nele quando ele disse que iria excluí-las, mas ele não cumpriu a promessa.

Ao contr√°rio, um grupo de Whatsapp secreto foi criado e as fotos de Amanda em pouco tempo estavam no celular de todos os alunos da escola.

‚ÄúEu fiquei muito mal, me senti sozinha e sem alternativas para sair daquela situa√ß√£o. E para piorar mais ainda ele espalhou para todo mundo que n√£o pediu as fotos. Eu realmente n√£o tinha conhecimento de que isso poderia me afetar para o resto da minha vida‚ÄĚ


‚ÄúEu fiquei muito mal, me senti sozinha e sem alternativas para sair daquela situa√ß√£o. Eu realmente n√£o tinha conhecimento de que isso poderia me afetar para o resto da minha vida‚ÄĚ

Depois que acontece, é difícil para os pais lidarem com a situação:

- "O que você faz quando a sua filha de 15 anos tira fotos de seu corpo para impressionar um menino, e agora ela está chorando, batendo a porta do quarto e gritando: - Você não entende!", diz a mãe da adolescente.

Amanda virou estat√≠stica, assim como v√°rios jovens todos os anos. Segundo a ONG SaferNet, que oferece aux√≠lio psicol√≥gico a v√≠timas do crime, o n√ļmero de queixas mais do que dobrou nos √ļltimos dois anos no Brasil.

 

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Somos a primeira geração a lidar com uma tecnologia tão agressiva. Em uma época não muito distante (provavelmente a época da sua adolescência), para mostrar alguma parte do corpo para alguém a pessoa tinha que se encontrar com ela pessoalmente. Hoje basta tirar uma foto.

A Internet trouxe uma imensa necessidade do adolescente mostrar a sua influência, de se sentir aceito também nas redes sociais. Em busca de "likes" eles acabam fazendo muitas coisas erradas.

 

E é por isso que o no título desse artigo eu também falo sobre escolhas. Ensinar o seu filho adolescente o poder das escolhas é, nesse mundo moderno, essencial.

Como ent√£o falar sobre escolhas com os filhos?

 

Neste caso em específico, sobre internet e privacidade, eu te ensinarei algumas perguntas que o seu filho deve fazer e que vai ajudá-lo a fazer melhores escolhas:

 

 1- A internet n√£o guarda segredos: Vale a pena?

Pode parecer óbvio mas o seu filho não tem a real dimensão disso. No mundo dele tudo é possível, até ele cair em uma cilada. Pegue casos de pessoas famosas que foram expostas, mostre, converse sobre o assunto e sobre a escolha errada daquela pessoa ao compartilhar fotos intimas.

Faça perguntas do tipo: - Como você acha que essa pessoa está se sentindo agora? - O que você acha que ela poderia ter feito diferente? - Você acredita que ela agiu por impulso? - Valeu a pena?

 

 

O que você faz quando a sua filha de 15 anos tira fotos de seu corpo para impressionar um menino, e agora ela está chorando, batendo a porta do quarto e gritando: - "Você não entende!"

2- Eu me sentiria desconfortável se alguém visse essa foto?

Ensine o seu filho a n√£o publicar algo que ele n√£o possa colocar em uma postagem p√ļblica e a sempre se perguntar:

- Eu sentiria vergonha se alguém visse isso? Se a resposta for sim, então não publicar.

 

 

 

3-  Isso prejudica algu√©m, inclusive a mim mesmo(a)?

Sempre antes de publicar uma foto de alguém ou dele mesmo peça para o seu filho se colocar no lugar daquela pessoa e depois se perguntar como se sentiria se algo parecido acontecesse com ele.

- Ao publicar essa foto, quem eu prejudico? - Eu gostaria de ter uma foto desse tipo publicada? - Existe a autorização da outra pessoa para eu publicar essa foto?

Peça para ele se colocar no lugar dos diversos personagens de uma história como esta:

1) Do adolescente que vai postar a própria foto, onde prejudicado será ele mesmo;

2) Do adolescente que manda a foto, porque ele impactaria não só a vida dele, mas de outra pessoa;

3) Do adolescente que √© inserido em um grupo secreto e recebe foto de terceiros, como ele se sentiria no lugar daquela pessoa da foto? 

 

4- O que eu ganho postando essa foto?

Likes, fama instant√Ęnea, prest√≠gio entre os colegas, o amor de uma garota ou de um garoto, ser aceito em um grupo. Essas podem ser algumas respostas e elas existem sim na cabe√ßa do seu filho.

Se o seu filho tiver a consci√™ncia do que o leva a querer tomar tal atitude, ele pode lutar contra isso e pode pedir ajuda. 

Deixe sempre o canal de comunicação aberto entre vocês para que o seu filho não sinta medo de te contar caso receba um pedido assim ou uma foto de alguém.

 

5- O que eu perco tirando ou postando essa foto?

Oriente o seu filho a sempre se perguntar também:

- Passados os minutos de fama, a paixão repentina, a aceitação no grupo, o que pode dar errado? - Como eu me sentirei depois? - Será uma sensação que vai se sustentar? - Quem eu vou magoar? - Quem eu vou ofender? - Vale a pena?

Não ensinamos escolhas para os nossos filhos decidindo por eles. Falar frases do tipo: - Não me faça uma coisa dessas hein!; - Pelo amor de Deus não vai se meter em confusão; definitivamente não resolve.

O que resolve é conversa, é conscientização. Para isso é preciso proximidade e aceitação por parte do seu filho.

Para proteger o seu filho é preciso orientar e para orientar é preciso dois componentes básicos: Informação e Conexão. Eu me sinto muito feliz por poder ajudar você nessa.

 

Você hoje se sente capaz de ter esse espaço para uma conversa sincera com o seu filho ou filha sobre esse assunto tão crucial?

Aqui você aprende mesmo