A Emoção Como Fator Determinante No Desenvolvimento Saudável Dos Filhos

Quero ajudar meu filho      Laboratório de Talentos • 22 Junho 2015

A família é a nossa primeira escola de aprendizado emocional e os pais precisam se conscientizar do importante papel que exercem no universo emocional dos filhos.

Estudos recentes comprovam que enquanto cada geração de crianças torna-se mais inteligente, suas habilidades emocionais e sociais parecem cair rapidamente. Observa-se uma epidemia de depressão que aumentou quase dez vezes entre as crianças e adolescentes e que se manifesta cada vez mais cedo.

Ao longo de toda a história ocidental, os pais conduziram a educação dos filhos pautados na razão. Hoje constatamos que essa conduta é míope porque, ao nos declararmos racionais, desvalorizamos a emoção e deixamos de perceber que toda ação é estabelecida através de um fundo emocional impulsionador. Se as nossas ações são fruto de nossas emoções, os pais que ajudam os filhos a lidar com sentimentos negativos como a raiva, tristeza e medo, constroem elos de lealdade e afeição.

Crianças emocionalmente inteligentes são fisicamente mais saudáveis e apresentam melhor desempenho acadêmico. Pessoas emocionalmente competentes, que conhecem e lidam bem com os próprios sentimentos e consideram os sentimentos das outras, levam vantagem em qualquer campo da vida, seja nas relações amorosas e íntimas, seja assimilando as regras que governam o sucesso na política organizacional.

A capacidade de falar sobre emoções é permanente nos cérebros do ser humano, mas utilizar essa habilidade depende, em grande parte, da cultura na qual foram criados e de como a interação uns com os outros será administrada. Abaixo segue os resultados das principais pesquisas científicas que tratam do desenvolvimento emocional das crianças, para a construção de uma emoção saudável nos filhos:

Identifique as próprias emoções. A autoconsciência é primordial. Você tem inteligência emocional? Avalie se o comportamento do seu filho não é o reflexo do seu próprio comportamento e emoção. Pesquisas científicas comprovam que, após quinze minutos de conversa entre dois sujeitos, seus perfis fisiológicos revelam uma espantosa similaridade. Este fenômeno é conhecido como “Espelhamento”. Significa que você pode afetar a própria fisiologia do seu filho e, portanto, as emoções dele.

Ajude o seu filho a expressar emoções com palavras. Um modo eficiente para estimular o aprendizado emocional é aumentar o vocabulário da criança. Isso pode ser feito através da leitura de livros infantis, que contém um vocabulário de emoções a ser explorado pelos pais a cada leitura.

Fique sempre atento aos sinais não verbais. Nem sempre as emoções ficam explícitas ou são adequadamente verbalizadas, por este motivo as emoções não verbais também devem ser consideradas e observadas e requer maior esforço dos pais para identifica-las adequadamente.

Expresse as suas emoções. Interações emocionais entre os membros da família são a base de transmissão de valores e da formação de pessoas corretas.

O treinamento da emoção não significa o fim da disciplina. Nem todo tipo de comportamento é aceitável, ao passo que todos os sentimentos são. Ajude o seu filho a separar o mau comportamento da emoção e avalie com ele novas condutas (menos agressivas) para lidar com a emoção.

Aceite o seu filho e não queira moldá-lo à sua própria imagem. Aceitar suas aptidões e emoções, seu espaço no ambiente familiar, suas opiniões, contribuem para que ele desenvolva a autoaceitação.  A criança que não se aceita e não se respeita não tem espaço de reflexão, porque está na contínua negação de si mesma e na  busca ansiosa do que não é e nem pode ser.

Não julgue e nem menospreze as emoções. Herdamos a tradição de fazer pouco caso das emoções da criança, considerando-as menos racional e experiente, mas ao dizer “Não se sinta assim” ou “Vai passar” as emoções da criança não desaparecem e elas ficam mais confusas sobre como lidar com o sentimento. Ao julgar a emoção do outro, nega-se a validade do que ele sente ou acredita. Uma técnica eficaz é sempre questionar: “O que isso significa para ela?”. Pense como uma criança e não como um adulto.

Deixe o seu filho fracassar. Deixar que o filho sinta-se mal pelos fracassos são blocos da construção necessários para o sucesso final e o sentir-se bem. Infelizmente não ensinamos às crianças de hoje a tolerar as emoções negativas associadas ao fracasso, o que pode gerar ansiedade e mesmo fobias que tiram o foco de seu temor de não preencher as expectativas dos pais, professores e colegas. Também pode adquirir o hábito de protelar, que é um disfarce para o medo de fracassar.

Ajude seu filho a encontrar as soluções. A busca pela solução deve ser incentivada desde cedo. Quando a criança pratica a descoberta da solução de problemas, consegue estabelecer a conexão entre as partes emocionais e racionais do cérebro. Não dê soluções ao seu filho. Não diga como ele deve se sentir. É com certeza mais fácil, mas, em longo prazo, você estará dando ao mundo um adulto inseguro e facilmente manipulável.

 

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